Partindo da região da Mata Atlântica, a paisagem do Brasil Central pareceu, aos colonizadores, mais densa que as larguezas campestres e mais aberta que as florestas. Referida como “campos fechados”, ou “campos cerrados”, passou a ser chamada, nos dias de hoje, simplesmente de Cerrado. Sua vegetação foi descrita, pelos naturalistas europeus do século XIX, como formada por árvores tortuosas, enfezadas, esparsas aqui e ali, e as chapadas cobertas por arbustos foram designadas como carrascos ou florestas anãs. Desde então, o Cerrado, assim como a Caatinga, é visto como uma espécie de “primo pobre” da ecologia brasileira, destinado a ser objeto de rápida destruição. Visão que é retratada na Constituição de 1988, em que não receberam a condição de patrimônio nacional, como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, o Pantanal Mato-Grossense e outros biomas. Nos vastos espaços do Brasil de dentro, o Sertão Mineiro, área dominada pelo Cerrado, se diferencia tanto da região leste do Estado como também dos outros sertões do Nordeste e do Centro-Oeste. Eternizado pela obra de Guimarães Rosa, sua história ambiental é aqui contada desde a sua ocupação, há mais de 12 mil anos, até as primeiras décadas do século XX, em uma longa trajetória de formação do “ser tão mineiro.”
Ricardo Ferreira Ribeiro
Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Possui doutorado em Desenvolvimento,Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atuou pela Secretaria do Trabalho e Ação Social, participou da fundação do Centro de Assessoria aos Movimentos Populares do Vale do Jequitinhonha. Foi assessor da Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais. Devido à sua atuação em defesa do uso sustentável dos recursos naturais, foi agraciado com a Medalha Chico Mendes, pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (1996) e com o Prêmio Ambiental Vicente Nica (1999). Trabalhou como consultor da Rede Cerrado de Organizações Não-governamentais. Inspirou a elaboração do Pró-Pequi (Programa Mineiro de Incentivo ao Cultivo, à Extração, ao Consumo, à Comercialização e à Transformação do Pequi e demais frutos e produtos nativos do Cerrado). Atualmente leciona nos cursos de Enfermagem e Ciências Sociais da PUCMinas. Também trabalha como consultor do Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura, atuando junto ao Incra em um programa de desenvolvimento de assentamentos de Reforma Agrária.
Sertão, lugar desertado. O cerrado na cultura de Minas Gerais - Vol.2
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