“Bem ou mal, Sociologia e História sempre se apropriaram dos esforços particulares uma da outra. A primeira incorporando as múltiplas interpretações dos historiadores sobre a vida política, social e econômica no passado; a segunda se utilizando de métodos e conceitos esboçados pela Sociologia. Acontece que o sociólogo, ao tentar preencher eventuais lacunas historiográficas em termos de explicações estruturais, arrisca-se a fazer má história, enquanto o historiador que recorre ao instrumental sociológico para sanar tais lacunas pode revelar-se mau sociólogo, entre outras razões, por incorporar conceitos imprecisos, tais como o de estrutura. Se admitimos que História e Sociologia são disciplinas complementares e interdependentes, mas que ambas enfrentam crises de ordem epistemológica que dificultam o diálogo entre elas, resta-nos lembrar que a superação desses problemas se afigura como condição indispensável ao desempenho solidário de suas respectivas funções, como diria Durkheim.”
Flávio Saliba Cunha
Flávio Saliba Cunha é doutor em Sociologia pela Universidade de Paris, com estudos pós-doutorais na Universidade da Califórnia/Berkeley. Foi professor-adjunto do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais e professor-associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense. Autor de vários artigos publicados no Brasil e no exterior e do livro O diálogo dos clássicos: Divisão do trabalho e modernidade na sociologia (C/Arte, 2004).
Artigos e resenhas sobre este livro:
História & História Cultural
História & Imagens
História & Turismo Cultural
História de Nossa Senhora em Minas Gerais