
Pensar a infância; experimentar a infância
Desde que se pensa a educação, a noção de infância tem neste pensamento uma centralidade. Afinal, a criança é o objeto a ser educado. Nas obras de Platão que tratam de educação, em especial A República e As Leis, lá estão as crianças, como pequenos seres a serem educados, para que se tornem adultos. Encontramos as crianças na letra de Erasmo e de Montaigne, depois em Rousseau e em Kant. Mas, sejam as crianças vistas como “adultos em miniatura”, “adultos em potência”, ou mesmo seres distintos que se transformarão pela educação, o que temos são representações de infância construídas pelo pensamento adulto.
Neste instigante livro Walter O. Kohan apresenta um conjunto de ensaios que são perturbadores. E o são justamente porque têm o poder de desalojar nossas idéias estabelecidas sobre as crianças. Sua leitura nos leva a uma filosofia da infância, naquilo que ela tem de inocência e descoberta. Uma descolonização do pensamento, que possibilita um outro olhar, uma outra experiência.
Sílvio Gallo
Artigos e resenhas sobre este livro:
Quem educa quem? Educação e vida cotidiana
Ensino de Filosofia - Perspectivas
Derrida & a Educação
Letras canibais - Um escrito de crítica ao humanismo em educação