“Pela aguda compreensão do processo de formação da sociedade brasileira e pela percepção dos elementos conflitantes na modernização do País é que Graciliano Ramos produz uma prosa de ficção fortemente marcada pelo autoquestionamento, ocorrência esta que chega a constituir uma categoria de análise cujo epicentro é a negatividade decorrente da percepção do escritor das contradições entre a literatura e a vida. É, portanto, um modo de elaboração da escrita literária que recusa o mero artifício estético de a literatura voltar-se sobre si mesma para perscrutar técnicas e procedimentos discursivos; ela passa a questionar sua função mesma enquanto elemento do conjunto das práticas de dominação que se processam no interior do processo civilizatório e são, geralmente, escamoteadas pela historiografia.”
Maria Izabel Brunacci
Maria Izabel Brunacci é doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília e professora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais.
Artigos e resenhas sobre este livro:
Palavra inquieta, A - Homenagem a Octávio Paz
Hora da estrela de Clarice, A
Aço em flor - A Poesia de Paulo Leminski
Nascimento da poesia, O - Antonin Artaud