Há quase 20 anos, quem andava pela cidade de Belo Horizonte sempre via pequenos poemas grafitados em seus muros, paredes e tapumes de construções. Em meio à correria do trânsito e à pressa indecifrável dos pedestres, lá estavam versos que se tornaram conhecidos. Surgiam com um encantamento que para muitos parecia magia e mistério. O primeiro, um pedido de (in)sanidade coletiva: “Apague/ a rua/ que a lua/ tá linda”. Junto à loja de doces, deliciosa confissão: “Se fosses bolo/ eu te comeria assim/ com gosto/ sem confeito/ sem glacê”. Em cada poema, uma assinatura: o “Poeta a Procura de Editor”. Como tantos humanos que buscam. Que buscam ideais. Que acreditam em sonhos. Ali estava, mais que poemas, um convite à crença, à busca! Gestos abusados de esperança. Na porta do maior jornal de Minas Gerais, um manifesto curto, grossamente impresso em tinta: “Poesia, invada o Estado de Minas”. O poeta brincou, assim, com os espaços e com a forma. Seus versos tinham a forma da cidade: às vezes caóticos, apressados. Em outras, romântico, como as frias madrugadas em que eram elaborados e, de pronto, afixados nas paredes. Vibrantes como canções. Notas dispersas que, agora, a Editora Autêntica traz para você. Os versos do jornalista e poeta Ney Mourão, que encontrou uma editora. Aqueles, da época dos grafites, e outros acordes, para seu deleite. Leia, como quem ouve música. Ouça, como quem lê poesia!
Ney Mourão
Ney Mourão é carioca de nascimento. No entanto, morando em Belo Horizonte desde a infância, impregnou-se de mineiridade. Capricorniano, com ascendente em aquário, lua em Leão. Dragão, no horóscopo chinês. Terra, ar, água, fogo: talvez a profusão zodiacal explique a diversidade de interesses profissionais e pessoais. Jornalista, consultor em Educação, especialista em Educação a Distância, organizador de eventos para educadores e jovens. Costuma dizer que fala e escreve pelos cotovelos – de poesias a crônicas, de contos a artigos sobre temas diversos. Alma irrequieta, no final da década de 1980, após diversas tentativas de vencer as dificuldades do restrito mercado editorial para poetas iniciantes, espalhou seus poemas, em forma de grafites, pelos muros da capital das Minas Gerais. Assinadas sob o pseudônimo de “Poeta a Procura de Editor”, ao todo foram cerca de 200 poesias, quase sempre criadas no ato da grafitagem, ligadas ao contexto em que estavam inseridas. Em 1991, foi tema vivo da prova de Redação da PUC Minas, que solicitou aos candidatos que definissem os grafites do poeta anônimo: rebeldia, arte, ânsia de expressão?
Menção Honrosa, em 1996, no Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, da Universidade de Toledo, no Paraná. Em 2003, um dos vencedores do concurso Poesia no Ônibus, da Secretaria de Cultura de Porto Alegre, dentre centenas de participantes. Em suas oficinas e palestras sobre Educação, criatividade e produção textual, o amor à poesia está sempre presente. Atualmente, seus “muros” foram parar nas telas do PC. Amante da tecnologia, está imerso na coordenação de diversas comunidades virtuais e, entre uma atividade profissional e outra, mantém um blog literário (http://blog.neymourao.com.br) e um site destinado à valorização da redação criativa (http://www.redacaocriativa.com.br).
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