
A aprovação da resolução que demandava do governo brasileiro iniciativas que viessem a rever, no sentido descriminalizante, a legislação brasileira inseriu o tema aborto no campo das políticas públicas, mais especificamente no âmbito da saúde pública.
Por outro lado, vale registrar que, no Brasil, seguindo uma tendência mundial, houve no mesmo período um acentuado crescimento e/ou explicitação de posições conservadoras quanto ao tema, por parte de diferentes grupamentos religiosos que ampliaram sua força política no Congresso Nacional.
Na sociedade brasileira, apesar da legislação restritiva e criminalizante, a prática clandestina do aborto ocorre em escala que coloca em risco a vida de milhares de mulheres, sobretudo nos extratos de renda mais baixos da população, configurando-se, dessa maneira, como a quarta causa de morte materna no Brasil.
Urge, portanto, aprofundar o debate entre nós com a delicadeza que o assunto merece e com a consciência da polêmica que desperta.
Nilcéa Freire
Mônica Bara Maia
Mônica Bara Maia é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais, especializada em Educação Sexual pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e pesquisadora em gênero e saúde. Coordenou a área de comunicação da Rede Feminista de Saúde.
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