
Roger Chartier afirma que “a edição é o momento em que um texto se torna um objeto e encontra leitores”. As análises apresentadas neste livro, com base em dados do PNBE/2008 – bibliotecas para a Educação Infantil, sugerem que talvez seja mais pertinente dizer que a edição é o momento em que um texto se torna um objeto e procura leitores; no caso da edição de literatura infantil, os textos se tornam livros que procuram leitores na escola. E porque a Educação Infantil ainda não recebeu pleno estatuto como instituição educativa, essa primeira iniciativa de políticas públicas, no sentido de reconhecer o direito ao livro e à leitura das crianças desse nível da Educação Básica, concretizou-se por meio de um jogo de confrontos e ajustes entre políticas de edição, direcionadas para um mercado editorial ainda não reconhecido, uma cultura escolar que ainda não se convenceu inteiramente da importância do livro na Educação Infantil, e ainda atribui funções nem sempre legítimas à literatura infantil, e políticas públicas de leitura e formação de leitores que só agora buscam propiciar práticas de letramento literário nas instituições de Educação Infantil. Esperemos que seja a criança a grande vitoriosa nesse jogo.
Magda Soares
Aparecida Paiva
Doutora em Literatura Comparada, professora da Faculdade de Educação da UFMG. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, leitura, literatura, linguagem e livro.
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