
Mulher, professora, tradutora, viajante, reformadora, escritora, Maria Guilhermina, Carla Simone Chamon o demonstra, soube como poucas brasileiras do período compartilhar com os homens de seu tempo a posição de intelectual engajada na discussão dos assuntos da educação no Brasil. Um dos méritos deste trabalho é, pois, enfocar Maria Guilhermina nessa complexa posição que lhe era, muitas vezes, reconhecida pelos próprios pares e que ela mesma, de forma consciente, ajudou a construir.
Na realização de seu trabalho, Carla não apenas faz uma criteriosa revisão da historiografia da educação brasileira que se ocupa do período e da temática abordados, mas também mobiliza noções e categorias do campo da história e das ciências sociais em geral para melhor entender o seu objeto. Ela permite, assim, falar da especificidade de Maria Guilhermina, das proposições da professora e intelectual estudada sem que isso signifique percebê-la como alguém “genial” ou “à frente de seu tempo”, como é muito comum em trabalhos sobre sujeitos individuais. O trabalho nos mostra que, em suas experiências, os sujeitos são sempre singulares, mas nunca isolados. E é essa trama e os dramas que enredam decisivamente o sujeito em seu tempo que o trabalho da Carla nos ensina a apreender.
Luciano Mendes de Faria Filho.
Carla Simone Chamon
Carla Simone Chamon, mestre em História e doutora em Educação pela UFMG, é professora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) e pesquisa atualmente sobre a História da Educação no Brasil. Publicou Festejos Imperiais: festas cívicas em Minas Gerais (1815-1845) (Ed. da Universidade São Francisco, 2002) e participou da organização do livro Educação elementar: Minas Gerais na primeira metade do século XIX (Editora UFMG).
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