
Escrever no papel recebido da vida. Papel a ser dobrado, rasurado, reescrito… Papel que se transforma com as marcas da vida incrustadas em suas nervuras. O envelhecimento nos acompanha desde que nascemos e se escreve também por linhas incertas, quase invisíveis sobre as quais tantas vezes nos perdemos, mas não para, isso é certo! Escrevemos um mesmo livro com múltiplas versões e um final sempre incerto. A memória é uma escrita que caminha com a vida, habitando as lembranças, as escolhas, a imagem, o corpo, a sexualidade, o amor e outros afetos. Estamos sempre escrevendo, lendo, rememorando e traduzindo o que foi escrito sob a marca de um estilo: arranjos particulares na maneira de compor um texto com as “letras” recebidas. Sentir-se identificado com seu estilo é saber fisgar e escrever com a marca que é sempre própria. A velhice é a escrita desse singular.
Ângela Mucida
Ângela Mucida, natural de Crucilândia-MG, autora do livro O sujeito não envelhece – Psicanálise e velhice (Autêntica, 2006), formou-se em Psicologia (UFMG), é mestre em Filosofia (UFMG), especialista em Saúde Mental (ESMIG), doutoranda em Psicologia/Psicanálise (UFMG), professora do Centro Universitário Newton Paiva, coordenadora da Especialização em Saúde Mental e Psicanálise nessa instituição e analista membro da Escola dos Fóruns do Campo Lacaniano. Exerce a clínica psicanalítica há 28 anos, atendendo também a idosos. Desde 1992 dedica-se à consultoria na implantação de trabalhos para os idosos em prefeituras e à supervisão de casos clínicos. Tem vários textos publicados no Brasil e no exterior, muitos dedicados ao tema velhice.
Artigos e resenhas sobre este livro:
Ivo

A angústia e desvendada com sabedoria!
Psicanálise escuta a educação, A
Analítica do poder em Michel Foucault, A - A arqueologia da loucura, da reclusão e do saber médico na Idade Clássica
Marketing sem pena - Só quem anuncia vende às dúzias (Gutenberg)
Psicanálise e hospital - Novas versões do pai: Reprodução assistida e UTI